Life's too short for boring hair, é o que dizem.
Nunca achei o meu cabelón sem graça, pelo contrário! Mas também nunca achei que teria coragem de desapegar e experimentar mudança assim, só sei que estou amando!
Se já vou deixar crescer, ou se vou cortar ainda mais, nem sei, eu vou decidindo conforme for decidindo, porque tá sendo bem gostosinho assim.
A leveza do corte não é só na cabeça, é em todo um conjunto de preconcepções que eu tinha. Eu acreditava que nunca iria combinar com cabelo curtinho, que estava presa no cabelão lindo pela vida inteira. Achava lindo e tão corajosas aquelas que tinham coragem de, simplesmente, mudar.
Era como se, para mudar a aparência fosse necessário ter coragem, e não vontade. Minha relação com o cabelón era tão rígida que tudo que eu fazia era cultivá-lo, e eu mesma cortava pra não correr o risco de perder o comprimento. Amava, e amo, o tamanho gigante do manto que me protegia de sol e frio.
Enquanto ia para o salão, minha ansiedade batia, quase inventei uma desculpa. Quando cheguei, nem tive tempo de desistir. Em menos de 15 minutos, eu já estava com 45 centímetros de cabelo a menos na minha cabeça. Não adiantava nem pensar em arrependimento agora.
Demorou pra adaptar, pra acostumar. Nunca tirei tantas selfies, nem me olhei tanto no espelho quanto nessa fase de adaptação. Mas a primeira vitória já havia acontecido: eu nem chorei quando saí do salão com a cabeça mais leve e um saco de cabelos para doar.
Uma semana depois, eu já queria cortar mais. Só esperei minha lua crescente chegar e, pontualmente, cortei mais uns 4 dedos de cabelinho. Agora sim, aceitei! Agora sim, me reconheço de novo no espelho.
A mudança pode parecer muito simples para alguns. Mas crescer pela minha vida inteira de cabelos longos, e, por mais de 10 anos, cortar o meu próprio cabelo pra manter o comprimento, e de repente, ficar em paz com meio metro de cabelo saudável sendo cortado fora assim, ah, isso é uma grande mudança!
Isso é uma leveza, uma liberdade pensar em mudar e ir lá, sem nada a perder! Acreditando que vai dar certo, que não é o fim do mundo, que cortes podem ser escolhidos como estilos de temporadas. Se não funcionar, o cabelo cresce. Já estava até bem crescido antes desse novo corte.
Então, mais um orgulhinho pra conta do ano! Mudei o jeito que vejo um cabelo na cabeça. O cultivo não precisa ser permanente, nem rígido, nem obrigatório. Testei ir contra o que sempre acreditei, e aprendi que mudar é muito bom!
Um brinde a ter o cabelo que der na telha!
Um brinde a ter o cabelo que der na telha!

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